quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Coming Out



Fez este ano (Março) 10 anos que saí do armário e contei aos meus pais e amigos mais íntimos que era homossexual, mas por motivos de doença a minha mãe foi-me pedindo para adiar a conversa com os meus avós maternos.

Os meus avós maternos criaram-me e educaram-me desde os 3 meses até sensivelmente aos 18 anos. Cresci com eles, passava a vida na casa deles enquanto os meus pais trabalhavam e no verão ia sempre de férias com eles também (atenção eu estava com os meus pais sempre ao final do dia e sempre quando eles tinham férias!).

Apesar de saber do que gosto desde cedo, mais ou menos desde os 7 anos, tive as minhas namoradas e algumas cheguei a apresentar à família. Com 17 anos comecei a namorar com o R e assumi-me perante os meus pais e perante (quase) toda a gente.

Sempre tive medo da reacção dos meus avós. O meu avô sempre foi muito austero, mais com as filhas do que com os netos, mas comigo a relação é diferente. Sou o único neto homem dele e o que mais tempo passou com ele.
Lembro-me de assistir ao "Quem quer ser milionário" antes de ir para a escola primária e discutir com ele quem tinha razão antes de sabermos a resposta certa. Foi ele que me ensinou a contar, escrever e ler antes de ir para a escola e incutiu em mim o amor pela Natureza, História e demais Ciências.

A minha avó faria tudo por mim e já mo disse. Sente-se minha mãe porque foi ela que me criou. Sempre me ensinou a ser justo, a perdoar, a ser feliz e a ser eu. Já me disse que nas minhas veias corre o sangue quente da família dela e que não há coisa melhor que essa (realmente eu tenho muito pouco do lado paterno).

Ontem, após 10 anos contei aos meus avós. Eles vieram de férias e eu fui lá a casa dar um beijinho.
Estava nervoso. Mais nervoso do que quando contei aos meus pais. Mas contei. Tenho (quase) 27 anos e já não sou uma criança mas parecia. Tremia e tinha medo que a reacção não fosse positiva. Mas foi. E deu-me vontade de chorar. Contei a verdade, contei dos planos que temos a longo prazo e ficaram felizes. Não vou contar a conversa toda, até porque foi longa, mas vou apenas transcrever a reacção do meu avô que me chocou pela positiva:

LTB: Eu estou em pé porque quero falar com vocês.
Avó: Então fala. 
LTB: Deixa o avô acabar de comer. (estava com medo que ele se engasgasse)
Avô: Se tiver a ver com mulheres aceito. 
Olhei para o lado em pânico, sorri e olhei para ele de novo.
Avô olha-me nos olhos, pára de comer e diz: Aceito na mesma. 

Eu não precisei de verbalizar. O meu olhar disse-lhe tudo.
Depois de falarmos um bocadinho beijaram-me e abraçaram-me.

Custou mas foi. Se eu já não tinha problemas com a minha sexualidade e não escondia de ninguém, nem no emprego, nem na faculdade, agora não tenho mesmo nada que me faça esconder.

Kisses & Hugz,

Litte Tiago Boy

10 comentários:

Goodblog Badblog disse...

Que lindo. Até fiquei com os olhos molhaditos.
Eu nunca contei oficialmente a ninguém. Tenho a porta do armário aberta para quem quiser ver ou perceber...

Little Tiago Boy disse...

Eu contei porque assim estou à vontade. E assim já não tenho de ter medo de me descair sem querer. Lol

Goodblog Badblog disse...

E fizeste muito bem!

Horatius disse...

eu estou enclausurado no armario. mas admiro-te. E pensando bem no assunto, acho que a minha avó aceitaria melhor que os meus pais. Como acho que a minha mãe aceitaria melhor o meu sobrinho do que a mim. Os avós penso serem mais flexíveis. Sobretudo se nos conhecem bem...

Luís disse...

Maravilhoso!!
És um privilegiado Tiago ;)

Little Tiago Boy disse...

Podes crer! :)

Little Tiago Boy disse...

Olha que ás vezes podemos ter agradaveis surpresas com a reacção das pessoas. ;-)

O Anfitrião de Lisboa disse...

tÃO BOM!!!

Nobody's Bitcho disse...

E o outro otário em casa, de telemóvel em punho, à espera de saber dos desenvolvimentos xD

N a m o r a d o disse...

Que testemunho tão positivo e sincero! Adorei!